COLUNA FACMA
14.jul.2026
| ALARGAR A TENDA TAMBÉM É TAREFA DA FACULDADE: notas a partir da 22ª Assembleia Regional de Pastoral
Alargar a Tenda também é tarefa da faculdade. É com essa compreensão que a Faculdade Católica do Maranhão, herdeira da tradição, da proximidade e da atuação da Igreja do Maranhão no campo da educação, aproximou-se, ouviu e participou da 22ª Assembleia Regional de Pastoral do Regional Nordeste 5, realizada sob o tema: “COMUNIDADES MISSIONÁRIAS, SINODAIS E PROFÉTICAS: avaliando e planejando nossa caminhada”. Espaço de escuta, participação e discernimento da ação evangelizadora da Igreja do Maranhão para os próximos anos.
Contudo, o que significa para uma instituição católica de ensino superior sentar-se à assembleia onde a Igreja discerne os seus caminhos?. A participação da FACMA não se limitou à condição de espectadora passiva, mas representou uma aproximação concreta de um organismo vivo do Regional Nordeste 5. A FACMA não esteve ali como observadora. Ela participou da escuta, do discernimento e, ao mesmo tempo, deixou-se escutar e discernir. Essa é a chave de leitura de nossa participação. Sentar-se nesta assembleia significa, antes de tudo, assumir três importantes posições: a escuta, a avaliação e o discernimento. Unidas, elas se tornam propulsoras de uma atuação renovada. Dom Gilberto, presidente do Regional Nordeste 5, em suas palavras de encerramento da assembleia, afirmou que ela marca “um novo tempo para o Regional Nordeste 5”.
A marca desse novo tempo é precisamente renovada pelo reencantamento de novos olhares, novos clamores e novas esperanças. Desse modo, a assembleia passa agora a um movimento de alargamento, deixando-se continuam ecoando e exigindo acolhimento, amadurecimento, avaliação e renovação. Nesse sentido, adentrar esta tenda, não significou apenas uma mera representação, mas um convite e um apelo constante ao reconhecimento da educação também como lugar de evangelização, isto é, de vida e vida em abundância. Há de se destacar que essa atuação não se dá pelas mesmas linhas de outros organismos pastorais. A educação católica possuí uma especificidade própria, capaz, ela mesma, de “traçar novos mapas de esperança” (1.1 ), de modo a alargar sua tenda.
De acordo com as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2026-2032), a imagem da Tenda é, por excelência, sinônimo de uma Igreja samaritana, acolhedora, missionária e itinerante, que se coloca em saída e a caminho do povo de Deus peregrino, convidando a assumir, cada vez mais, uma conversão pastoral que lhe permita um caminho de configuração a Cristo, que fez morada entre nós para se fazer encontro. Nas palavras das Diretrizes, uma “tenda sempre aberta, capaz de ampliar a escuta e o acolhimento, sustentada pelas firmes estacas da fé, da esperança e da caridade” (n. 3) constitui precisamente esse eixo de reflexão.
Essa imagem permite estabelecer uma ponte muito natural entre a missão pastoral e a missão educativa da Faculdade, missão que “nasce da convicção de que a pessoa humana é sempre o centro do processo educativo” (n. 106) e que objetiva, justamente, ser, na linguagem do Papa Francisco, uma nova coreografia que tenha como centro a pessoa, de modo que o processo educativo seja compreendido como um movimento comprometido com a inteireza da pessoa humana, que é também um ser espiritual.
Assim, “a educação católica torna-se fermento na comunidade humana: gera reciprocidade, supera reducionismos, abre à responsabilidade social. A tarefa hoje é ousar um humanismo integral que habite as questões do nosso tempo sem perder a fonte” (n. 6.2). É essa a tarefa por fazer-se; este é o compromisso que conduziu a FACMA a não caminhar à margem do discernimento pastoral da Igreja do Maranhão, mas, ao contrário, caminhar com ela, e com, ela ser um elo de transformação e profetismo, um braço de atuação por meio da educação, não alicerçada no proselitismo, mas na escuta, como “parte essencial do ato educativo”.
“A educação humanística cristã é aquela que não impõe, mas dialoga; não silencia, mas acolhe; não transmite apenas conteúdo, mas escuta sonhos, angústias e pergunta aos jovens”, educando para a ecologia integral, para a participação e corresponsabilidade e para um compromisso ético alicerçado na dignidade da pessoa humana, na fraternidade e na justiça. Sentar-se nesta 22ª assembleia, é portanto, comprometer-se, por meio da escuta, com uma conversão integral, tal como apontou o Documento Final do Sínodo sobre a Sinodalidade, favorecendo um reencantamento da atuação sociotransformadora da Igreja no Maranhão, por meio da educação. Desse modo a participação da FACMA não apenas contribuir com sua competência acadêmica para a missão da Igreja, mas permitir que a caminhada sinodal da Igreja reoriente continuamente sua própria missão educativa. É nesse ponto que a imagem da tenda, as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora e o Educativo Global convergem: todos convidam a educação católica a abandonar uma lógica de autorreferência e assumir uma postura de encontro, escuta, comunhão e serviço à vida. Alargar a tenda, afinal, também é uma tarefa da educação.