FACULDADE CATÓLICA DO MARANHÃO

Author name: Tiago Vieira

Coluna FACMA

TERNURA NÃO É FRAQUEZA: a força de Deus na vulnerabilidade do amor

TERNURA NÃO É FRAQUEZA Prof. Me. Pe. Iran Gomes Brito A ternura é uma das linguagens silenciosas de Deus. Ela não faz ruído, não se impõe, não conquista pela força; aproxima-se, toca as feridas e permanece. O Deus revelado em Jesus Cristo não salva o mundo esmagando sua fragilidade, mas assumindo-a. Em Belém, faz-se pequeno; no caminho, deixa-se tocar; no Calvário, abre os braços. Neste sentido, podemos inferir ainda que a ternura é a força de Deus escondida na vulnerabilidade do amor. Pois, somente quem é verdadeiramente forte consegue aproximar-se da fraqueza sem medo de ser ferido. Assim sendo, a mística da ternura começa quando aprendemos a olhar como Jesus olhava. O seu olhar não reduzia ninguém ao pecado, ao fracasso ou à ferida que carregava. E onde a multidão via um pecador, Ele enxergava um filho; onde os outros encontravam impureza, Ele reconhecia uma vida sedenta de comunhão. De fato, a ternura nasce desse olhar contemplativo que atravessa as aparências e alcança o santuário escondido do outro. Por esse motivo, ser terno é aproximar-se desarmado do mistério de alguém e, diante dele, retirar as sandálias, porque também ali Deus habita. Desse modo, ternura não é fraqueza. Aliás, fraqueza é o coração que precisa ferir para demonstrar poder. Frágil, ainda, é aquele que necessita diminuir o outro para sentir-se grande. A ternura, ao contrário, exige a coragem de quem renunciou às armaduras e decidiu permanecer humano. Há uma extraordinária fortaleza naquele que sabe acariciar sem possuir, corrigir sem humilhar, acolher sem julgar e permanecer quando todos partem. O genuíno coração cristão não é de pedra, é de carne, portanto, capaz de sangrar e, ainda assim, continuar amando. Fraqueza é a escassez de ternura. Nesse tempo que nos toca viver, temos multiplicado as palavras, no entanto, diminuído a escuta; ampliado conexões e perdido de vista a comunhão. Tocamos telas durante horas e, tantas vezes, esquecemos de tocar as mãos de quem sofre ao nosso lado. Por isso, a ternura tornou-se também profecia: diante da cultura da indiferença, ela diz que ninguém é descartável. Diante do exposto, surge um questionamento: quando cessarem nossas palavras, títulos e grandezas, permanecerá a pergunta silenciosa do Evangelho: quanta ternura fomos capazes de oferecer? A ternura é isto: mão estendida, perdão oferecido, presença fiel, abraço que devolve a esperança. Daí compreendermos que, a ternura não é fraqueza, é o amor que nos torna próximos. Por isso, não basta parecermos cristãos, é preciso que a nossa existência produza os frutos de Jesus Cristo.

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FACMA e PUCRS iniciam Mestrado Interinstitucional em Filosofia com apoio da FAPEMA

QUANDO O CONHECIMENTO CRIA RAÍZES: Filosofia, Educação e compromisso com o Maranhão Prof. Me. Pe. Iran Gomes BritoDiretor Geral da Faculdade Católica do Maranhão Há momentos em que uma instituição não apenas inicia um novo projeto: reafirma a razão mais profunda de sua existência. Este é um desses momentos. Por isso, é com alegria que a Faculdade Católica do Maranhão inicia, em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, o Mestrado Interinstitucional em Filosofia. Na verdade, mais do que um programa de pós-graduação, celebramos a convicção de que o conhecimento, quando cria raízes, transforma pessoas e, por meio delas, transforma a realidade. Essa alegria se multiplica com o Acordo de Cooperação Técnica com a FAPEMA, que acrescenta a esta iniciativa uma dimensão profundamente social. Aproximam-se, assim, excelência acadêmica e compromisso público, fazendo com que a formação de alto nível alcance educadores que, nos mais diversos lugares, fazem da escola um espaço cotidiano de esperança. À PUCRS, nossa profunda gratidão, especialmente na pessoa do professor Fábio, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Filosofia, pela confiança e pela parceria e pelo laborioso trabalho que teve junto ao nosso querido prof. Carlos Brito. E nossa gratidão à professora Fernanda, que nos honra com a sua presença e, logo mais, com a Aula Magna que inaugura solenemente esta caminhada. À FAPEMA, nosso reconhecimento, nas pessoas dos professores Nordman Wall Barbosa de Carvalho Filho (presidente) e Cristiano Leonardo de Alan Kardec Capovilla Luz (diretor científico). Permitam-me aqui uma memória pessoal em relação ao prof. Cristiano: em 2008, tive a alegria de ser seu aluno no curso de Filosofia, precisamente nesta Faculdade. Hoje, reencontramo-nos unidos novamente pela educação. Há encontros que o tempo não desfaz; apenas lhes acrescenta novos significados. Registro, também, com especial gratidão, o apoio incansável do amigo e deputado federal Márcio Honaiser, cuja colaboração foi importante na construção desta cooperação. E permitam-me dirigir uma palavra muito particular aos nossos mestrandos. Vocês chegam de diferentes regiões do Maranhão e contamos, inclusive, com uma mestranda do Estado do Piauí. Chama-nos igualmente a atenção a expressiva presença feminina nesta turma. É um belo sinal da força das mulheres na educação e na produção do conhecimento. Há ainda algo que confere especial sentido a este mestrado: a presença significativa de profissionais que atuam na educação básica, especialmente no ensino fundamental. Por isso, este conhecimento não permanecerá restrito à academia. Ele chegará às escolas, às salas de aula, às comunidades e às novas gerações. Quando um professor estuda, nunca estuda sozinho. Com ele, de algum modo, estudam também todos aqueles que serão alcançados pela transformação de seu pensamento. Num tempo de excesso de informação e, tantas vezes, de escassez de reflexão, estudar Filosofia é reafirmar a necessidade de pensar com profundidade, compreendendo que educar não é apenas transmitir conteúdos, é formar pessoas capazes de perguntar, discernir, buscar a verdade e compreender o sentido de sua presença no mundo. Aos nossos mestrandos, portanto, meus cumprimentos. Que esta caminhada seja exigente, como todo conhecimento verdadeiro deve ser, mas, sobretudo, fecunda. Que a união entre a Faculdade Católica do Maranhão, a PUCRS e a FAPEMA produza frutos que ultrapassem os títulos acadêmicos e alcancem nossa sociedade. Enfim, hoje iniciamos um mestrado, no desejo de formar pessoas capazes de pensar profundamente para servir generosamente. E, se assim for, este programa não terá formado apenas mestres em Filosofia, terá ajudado a formar mestres de humanidade. Muito obrigado!

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ENTRE A BABEL E A FRATERNIDADE: o convite da FACMA para a Semana Acadêmica 2026

Confira a íntegra da mensagem de boas-vindas do Diretor Geral da Faculdade Católica do Maranhão, Prof. Me. Pe. Iran Gomes Brito, aos participantes da Semana Acadêmica. “PARA ONDE VAIS, HUMANIDADE? PERSPECTIVAS, DESAFIOS E UTOPIAS” Prof. Me. Pe. Iran Gomes BritoDiretor Geral da Faculdade Católica do Maranhão             Ao iniciarmos esta Semana Acadêmica da FACMA/2026, desejo, antes de tudo, manifestar, em nome da Direção-Geral da Faculdade Católica do Maranhão, a nossa gratidão a todos os que tornam possível esta Semana: à equipe organizadora, os conferencistas, às coordenações dos cursos, aos professores, aos estudantes e aos colaboradores das muitas frentes de serviços. De fato, um evento acadêmico nasce de muitas mãos, mas, sobretudo, de muitas inteligências que aceitam colocar-se juntas à procura do sentido daquilo que se propõe. A todos, nosso sincero agradecimento.             E o tema que nos reúne é este: “Para onde vais, humanidade? Perspectivas, desafios e utopias”. E mais do que o título de uma Semana Acadêmica, é uma interrogação dirigida ao nosso tempo: Para onde vais, humanidade? A pergunta pressupõe movimento. Estamos indo para algum lugar. Mas ela contém também uma inquietação: sabemos para onde estamos indo? Sabemos quem somos, para discernir para onde devemos ir?             O tempo que nos toca viver é paradoxal. Pois, nunca acumulamos tantos conhecimentos e, entretanto, como num atoleiro, continuamos diante das perguntas fundamentais. Ampliamos extraordinariamente nosso poder sobre o mundo, mas não necessariamente na mesma proporção nossa sabedoria para orientar esse poder. Criamos tecnologias capazes de aprender, calcular, prever e produzir; aproximamos continentes e aceleramos o tempo; multiplicamos conexões e informações. E, contudo, permanecem a solidão, a guerra, as desigualdades, a crise ambiental, relações fraturadas e a dificuldade de reconhecer o outro como alguém cuja existência me diz respeito.             É precisamente nessa encruzilhada que Filosofia e Teologia encontram uma responsabilidade comum. À Filosofia compete conservar viva a coragem da pergunta, sobretudo, quando a sociedade se acostuma às respostas fáceis. Cabe-lhe interrogar os fundamentos, desmascarar os reducionismos, discernir os conceitos de verdade, liberdade, justiça, felicidade e bem. À Teologia, por sua vez, compete contemplar o humano à luz do Mistério e recordar que a pergunta sobre o homem não se esclarece plenamente enquanto permanecer fechada à pergunta sobre Deus. E ambas são hoje convocadas a impedir que o ser humano seja reduzido a consumidor pelo mercado, a número pela burocracia, a dado pelos algoritmos, a instrumento pelas ideologias ou a objeto pela técnica.             Nesse sentido, o magistério recente da Igreja oferece-nos, uma provocação de grande atualidade. Vale lembrarmos que o Papa Francisco insistiu em recolocar a pessoa humana no centro, compreendendo-a não como indivíduo isolado, mas como ser de relações: relação consigo, com os outros, com a criação e com Deus. Daí a sua insistência na fraternidade, no cuidado, no encontro e na responsabilidade pela casa comum. Educar, para o Papa Francisco, significa também contribuir para uma nova humanidade, capaz de superar a cultura do descarte e reconstruir vínculos de fraternidade. O Papa Leão XIV, pra sua vez, aprofunda essa interpelação na Magnifica humanitas, recordando-nos que a dignidade da pessoa não é concedida pelo Estado, pelo mercado, pela tecnologia ou pelo reconhecimento social: pertence ao ser humano simplesmente porque ele existe, querido, criado e amado por Deus. E, justamente diante do extraordinário desenvolvimento tecnológico, recoloca a questão decisiva: o progresso torna a vida verdadeiramente mais humana?             É uma pergunta fundamental para esta Semana Acadêmica. Porque o grande desafio da nossa época não é construir máquinas cada vez mais semelhantes ao ser humano, mas impedir que o próprio ser humano passe a compreender-se à maneira das máquinas. Assim sendo, o Papa Leão XIV, recorda que nossa dignidade se manifesta na capacidade de refletir criticamente, escolher livremente, amar gratuitamente e estabelecer relações autênticas. E, retomando a Gaudium et Spes, sublinha três expressões fundamentais dessa dignidade: inteligência, consciência e liberdade. Eis, portanto, o horizonte no qual desejamos situar a nossa Semana Acadêmica. Quando perguntamos: “Para onde vais, humanidade?”, não queremos cultivar pessimismo nem alimentar ingenuidades. Queremos discernir.             Queremos olhar criticamente para nossas perspectivas, porque o futuro não está pronto à nossa espera: ele depende das escolhas que fazemos no presente. Queremos enfrentar nossos desafios, porque uma Faculdade Católica não pode refugiar-se numa torre de marfim enquanto homens e mulheres concretos sofrem, esperam, procuram sentido e lutam por dignidade. E queremos falar de utopias, não como fuga da realidade, mas como resistência à tentação de considerar inevitável tudo aquilo que desumaniza. A utopia autêntica não é negação da história, é a nossa capacidade de enxergar, dentro dela, possibilidades ainda não realizadas. Para o cristão, ela encontra sua expressão mais profunda na esperança, isto é, na certeza de que a história permanece aberta porque Deus continua agindo nela e convocando a liberdade humana à responsabilidade.             Por isso, é significativo que o Papa Leão XIV, apresente à humanidade hodierna duas imagens. Segundo ele, podemos construir uma nova Babel, fundada no poder, na eficiência e no domínio; ou podemos trabalhar pela construção de uma civilização na qual a técnica, a economia, a política e o conhecimento estejam efetivamente a serviço da pessoa e do bem comum. Entre a Babel e a fraternidade, entre o domínio e o cuidado, entre a indiferença e a responsabilidade, há uma decisão antropológica a ser tomada. E é precisamente por isso que devemos levantar a pergunta: Para onde vais, humanidade?             Perguntamos não como espectadores da história, mas como pessoas implicadas nela. Perguntamos porque acreditamos na razão e recusamos o obscurantismo. Perguntamos porque acreditamos na fé e recusamos uma razão fechada à transcendência. Perguntamos porque acreditamos na ciência, sem transformá-la em ídolo. Perguntamos porque acreditamos na técnica, sem entregar-lhe a consciência. Perguntamos, enfim, porque ainda acreditamos profundamente no ser humano e em Deus, que não desistiu do ser humano.             Que estes dias sejam, de uma verdadeira experiência universitária de pensamento, de diálogo e de discernimento. Espero que saiamos daqui compreendendo que o destino da humanidade não é apenas uma questão sobre o futuro. É uma responsabilidade no

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MAIS QUE GRANDEZA, EXCELÊNCIA: o SIM de Maria e a Plenitude dos Tempos

Frei José Luís Leitão, OFMCap. Homilia na Festa da Natividade da Bem-aventurada Virgem Maria (8 de setembro de 2026) Caríssimos irmãos e irmãs,             Nesta noite de 8 de setembro de 2026 em que encerramos o nosso festejo em honra a Nossa Senhora dos Capuchinhos, eu quero aqui deste ambão pregar tão somente sobre a excelência de Nossa Senhora.             E para falar sobre a excelência de Nossa Senhora, começo primeiramente explicando o motivo de eu ter preferido a palavra excelência à palavra grandeza. Referente à palavra grandeza, percebe-se que é muito comum o uso dessa palavra entre nós para externar sentido negativo. Exemplo: fulano de tal tem espírito de grandeza. Que se quis dizer com o uso da palavra grandeza? Que essa pessoa é soberba, presunçosa. Ao contrário, a palavra excelência não me parece ser tão usual em nossos círculos de conversas diárias ou até mesmo em conferências como apropriação vocabular para exprimir sentido negativo com relação ao outro.             Por esse motivo, a palavra excelência me pareceu mais virtuosa, respeitosa, honrosa, e, consequentemente, mais propícia e oportuna do que a palavra grandeza para falar de Nossa Senhora como a mulher mais famosa da história da salvação a receber os verdadeiros e autênticos elogios e louvores, primeiramente de Deus, segundo de nós.             Dito isso, convém dizer de antemão que o simples esforço mental e reflexivo pela escolha de uma palavra em vez de outra para falar de Nossa Senhora nesta pregação, já mostra aí a excelência dela.             Ora, se a simples preferência vocabular já indica, sinaliza a excelência de Nossa Senhora, e isso pelo fato de escolhermos uma palavra que seja menos viciosa e mais virtuosa, e, portanto, que esteja à altura da pureza e dignidade dela, agora imaginemos nós com muito mais razão ainda essa excelência de Maria a partir do que diz a Sagrada Escritura a respeito dela, tanto em nível de profecia como no AT, quanto em nível de realização como no NT. E por que a Escritura? Porque neste Livro da vida, Maria Santíssima foi inicialmente pensada e contemplada pelo Altíssimo Deus.             Com efeito, na 1ª leitura da profecia de Miqueias, está dito que “de Belém há de sair aquele que dominará Israel; que sua origem vem de tempos remotos, desde os dias da eternidade. E que Deus deixará seu povo ao abandono, até ao tempo em que uma mãe der à luz” (cf. Mq.5,1).             Pergunta-se: quem há de sair de Belém e que vai dominar Israel e que sua origem vem desde a eternidade conforme a profecia de Miqueias no AT? O Evangelho, portanto o NT, responde: esse alguém é Jesus, o Deus conosco, chamado o Cristo”. Depois, e quem é essa mãe que vai dar à luz conforme a profecia de Miqueias no AT? O Evangelho igualmente proclamado, portanto o NT, responde: o nome dela é Maria; e além de dizer que é Maria diz ainda que ela é virgem.             Ora, onde está a excelência de Nossa Senhora nestas páginas da Sagrada Escritura? A resposta está aqui: Em ter sido profética e indiretamente contemplada no AT, e, por fim, em ter sido conhecida na sua existência histórica no povoado de Nazaré como a mãe do Salvador no NT.             Observa-se, lendo a profecia de Miqueias, no AT, à luz do NT, que o que era profecia sobre Maria (uma mãe dará à luz) se tornou real em Maria, que deu à luz o Salvador, e cuja origem vem desde a eternidade. Enfim, em Nossa Senhora o tempo futuro se atualiza, torna-se tempo presente.             E como é que em Maria o tempo futuro de uma Mãe que daria à luz a quem dominaria sobre Israel se torna tempo presente? A resposta está aqui: “Quando, tendo chegado a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de uma mulher” (cf. Gal. 4, 4-5). Ou seja, depois que Deus se deu a conhecer ao homem ao longo do tempo, processo esse que de Abraão até Jesus Cristo são mais de 3.000 mil anos, Deus quis agora de uma vez por todas se dar a conhecer de modo inconfundível, definitivo e pleno. E o que é que caracteriza essa plenitude dos tempos? Resposta: que Deus não falou mais por meio dos profetas, mas sim nestes últimos dias, por meio do Seu Filho. Ou seja, Deus não passou mais a se revelar, a dar-se a conhecer como antes pelos seus porta vozes criados ou pela brisa leve do mar ou pela sarça ardente inanimados, mas sim a partir do Deus feito homem, carne, existência. E para que isso acontecesse, entra em cena no tempo e na história a figura de Maria, porque nela se deu a Encarnação do Verbo de Deus. Daí a razão de ser da solenidade do Natal. Eis aí a excelência de Nossa Senhora!             No Magnificat, descobre-se também a excelência de Nossa Senhora em seu estado psicológico e espiritual. E digo psicológico e espiritual, porque há duas palavras no Magnificat que me fazem pensar nesse estado de harmonia pessoal dela: uma é a palavra alma e a outra é a palavra espírito. Diz Maria: “Minha alma engrandece o Senhor”, e depois “e meu espírito exulta em Deus, meu Salvador” (Lc. 1, 46). Minha leitura sobre este trecho bíblico é a seguinte: a sua alma, isto é, o seu estado psicológico, afetivo, sentimental, emocional, volitivo (de querer), intelectivo engrandecia, enaltecia, colocava lá nas alturas o Senhor. De fato, em nenhum momento ela se engradeceu, se envaideceu, se colocou no pódio, se mostrou como o centro das atenções. Depois, e o seu espírito, isto é, o lado mais profundo do ser dela, da sua relação com Deus, que nunca se acaba, porque a razão de ser do espírito é de existir voltado para Deus, exultava totalmente em Deus, seu Salvador. O eu de Maria volta-se inteiramente para o Tu divino. Neste Senhor e Deus repousa, pois, o estado dela de prazer, de alegria, de confiança, de superação, de entendimento.

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