FACULDADE CATÓLICA DO MARANHÃO

Coluna FACMA

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8 DE MARÇO E O GÊNIO FEMININO: memória, atuação e o legado da Dra. Beatriz Bom

O Dia Internacional da Mulher é uma ocasião propícia não apenas para celebrar, mas também para recordar, na medida em que recordar (recordar) é justamente um fazer passar pelo coração. Não de qualquer modo, ou maneira, mas segundo a compreensão de que a memória é um ato formativo. Já Agostinho, nas Confissões, apresenta em que medida a memória contribui para a formação do eu. Na contemporaneidade, Paul Ricoeur seguirá na mesma linha de compreensão, apresentando a memória como caminho de reconhecimento de si e como caminho para a formação das identidades dos grupos. Desse modo, também em nossa instituição a memória deve se tornar um elo formativo entre o ontem e o hoje. É nesse percurso formativo que podemos compreender quem somos e quais caminhos queremos ou não continuar trilhando. Em Ricoeur, a memória exige um exercício, na medida em que a recordação é também um convite à ação. Por isso, neste 8 de março, quero recordar a figura da Dra. Beatriz Bom, personagem pouco conhecida em nosso meio acadêmico atual, mas cuja trajetória marcou a história social e eclesial do Maranhão e a história acadêmica de nossa instituição. Beatriz Bom nasceu em Treviso, na Itália, em 5 de dezembro de 1922. Era conhecida por duas grandes paixões: os estudos e a missão. Formou-se em Letras Antigas pela Universidade de Pádua, especializando-se em História Grega, e trabalhou durante anos como assistente do professor, historiador, filósofo, poeta e bibliotecário Aldo Ferrabino (1892–1972), primeiro em Pádua e depois em Roma. No entanto, o desejo missionário levou-a a novos horizontes. E em 1967, após formar-se em Medicina e Cirurgia pela Universidade de Roma, veio em missão ao Brasil. Seu primeiro campo de atuação foi a região amazônica, na Ilha do Marajó, onde exerceu a medicina em Ponta de Pedras e Muaná, colaborando como missionária leiga com os padres jesuítas. Anos depois, ao conhecer um missionário comboniano que trabalhava no interior do Maranhão, decidiu vir para o estado. Em meio às dificuldades sanitárias da região, descobriu um caso de febre amarela em um acampamento de garimpeiros e insistiu junto às autoridades para que providências fossem tomadas. Sua intervenção contribuiu para evitar uma possível epidemia. A notoriedade de seu trabalho espalhou-se pelo Maranhão e, posteriormente, ela passou a viver em São Luís. Foi nesse período que o então arcebispo da cidade, Dom Paulo Eduardo Andrade Ponte, convidou-a para lecionar História da Igreja e Filosofia no então Centro de Estudos Teológicos do Maranhão (CETEMA), momento em que sua atuação e comprometimento chegaram a essa instituição. Além de médica dedicada, Beatriz Bom era também estudiosa de teologia e de filosofia. Mais tarde retornou integralmente ao exercício da medicina, dedicando-se à visita aos doentes, à formação de enfermeiras e de agentes de cuidado, especialmente entre as Legionárias de Maria e outros leigos engajados na vida da Igreja. Conhecida por sua atuação comprometida, dedicou-se também a escrever artigos sobre ética médica, teologia e questões sociais, publicados em jornais locais e apresentados em palestras e encontros formativos. Não por acaso, no dia 8 de março de 1997, Dia Internacional da Mulher, recebeu da então governadora do Maranhão, Roseana Sarney, a medalha ao mérito pelo desenvolvimento social e sanitário do estado. Foi um reconhecimento público de uma vida dedicada ao serviço, à ciência e à promoção da dignidade humana. Dra. Beatriz viveu com simplicidade até sua morte, em 10 de agosto de 2004. Recordar a figura, a atuação e o comprometimento da Dra. Beatriz Bom neste dia tem um significado especial também para a nossa instituição. Em 2025, a Sociedade Maranhense de Cultura Superior celebrou 70 anos de atuação, fruto do sonho episcopal de Dom José Delgado de promover a cultura superior em nosso estado. Ao longo dessas décadas, incontáveis mulheres contribuíram para a construção dessa história como professoras, funcionárias, pesquisadoras, estudantes e colaboradoras de nossa missão educativa, e Beatriz Bom é uma dessas pioneiras. São João Paulo II, em Mulieris Dignitatem, fala do chamado “gênio feminino”: aquela capacidade singular de perceber, cuidar, gerar vida e promover relações verdadeiramente humanas, que só as mulheres possuem. Longe da abstração, esse gênio quer manifestar concretamente a dedicação, a inteligência, a sensibilidade e a coragem de tantas mulheres que transformam a sociedade a partir de seu lugar próprio. A vida da Dra. Beatriz Bom é um exemplo desse gênio em ação. Uma mulher que uniu saber acadêmico, prática médica e compromisso social em favor dos mais vulneráveis e do desenvolvimento integral da vida humana. Ao recordar sua memória neste 8 de março, queremos fazer passar ao coração de nossa instituição o legado da Dra. Beatriz e, por meio dela, o de tantas outras mulheres que construíram e que constroem a identidade desta instituição. Que a memória de mulheres como Beatriz Bom continue a inspirar nossa missão educativa e nosso compromisso com uma formação verdadeiramente integral, bem como a defesa do espaço, dos direitos, da dignidade e da vida integral que a vitalidade e a fecundidade da presença feminina, do gênio feminino, produzem em nossa comunidade acadêmica e sociedade

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NÃO HÁ PORTAS TRANCADAS QUE NÃO SE ABRAM​

COLUNA FACMA | NÃO HÁ PORTAS TRANCADAS QUE NÃO SE ABRAM 13.jun.2025 O travamento das portas da mente, do coração e da vida fazem-nos prisioneiros dos nossos sustos e das nossas ilusões. Essa condição leva-nos ao apequenamento das atitudes, impedindo-nos de ser mais. De fato, somente Jesus Ressuscitado pode nos fazer sair deste subjugo. Por exemplo, foi ele quem abriu as portas do cenáculo, lugar onde os discípulos se encontravam reunidos e, pondo-se no meio deles disse: “a paz esteja convosco”. Com isso, passamos a tomar consciência do sentido da nossa fé e da missão que temos como discípulos missionários de Jesus Cristo. Por outro lado, o Evangelho do Senhor, na maestria de seus ensinamentos, recorda-nos a condição existencial dos discípulos da primeira hora. No cenáculo estavam com as portas fechadas. Trata-se, da maneira como a comunidade discipular se encontrava existencialmente, para além das portas do templo, pois o foco do Senhor, não são as portas materiais de uma casa, mas as portas de nossos corações. Nesta perspectiva, entendemos quais portas o Senhor quer abrir. A saber, as portas da mente, do coração e da vida de todos nós. Ora, quando as portas da nossa interioridade estão fechadas, o sentido existencial da nossa vida padece de horizonte. Esta é a razão pela qual o Senhor consumiu a sua vida – para conferir alegre sentido à nossa existência. É assim que liturgicamente cantamos: “minha vida tem sentido, cada vez que venho aqui. E te faço o meu pedido de não me esquecer de ti”. Efetivamente, o Ressuscitado se coloca no meio de nós com uma força incomparável, a força que vem alto, isto é, o Espírito Santo que sustenta a nossa vida e fortalece a comunidade que se reúne em seu nome e por sua causa. De fato, o Espírito Santo cria e recria a vida humana e sustenta com sentido a fé que a constitui. Por isso, na liturgia de Pentecostes, o texto evangélico inicia-se com a expressão: “ao anoitecer daquele dia, primeiro da semana”. O primeiro da semana evoca a criação, ou seja, o dia em que Deus soprou sobre o barro e a vida humana se constituiu, esta que agora é marcada com o hálito de Deus. Ora, no contexto da nossa vida, testemunhamos não mais o sopro sobre o barro, mas o sopro do Ressuscitado sobre a vida crente de uma comunidade reunida chamada a destravar qualquer porta fechada. Que o medo não ocupe lugar em nossos corações, pois como homens e mulheres de fé, interessa-nos nutrir a consciência de que somos movidos pelo Espírito do Ressuscitado, Ele que irrompe o tempo e o espaço, sem conhecer Nele portas fechadas que não se abram! Autor: Prof. Me. Pe. Iran Gomes Brito Diretor Geral da Faculdade Católica e Professor do Curso de Teologia iran@facmaedu.com.br

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A NOSSA VOCAÇÃO É A DO CUIDADO PASTORAL

COLUNA FACMA | A NOSSA VOCAÇÃO É A DO CUIDADO PASTORAL 13.mai.2025 Entre as muitas imagens aduzidas pelo evangelista João, no que tange ao cuidado de Deus, isto é, ao seu cuidado pastoral para conosco, uma marca especialidade. Verdadeiramente, a imagem do bom pastor é emblemática para explicitar a centralidade do cuidado de Deus com a obra criada. Trata-se de um cuidado radical expresso no verbo de Deus encarnado, Jesus de Nazaré, que se apresenta como o Bom Pastor. De fato, Jesus Cristo – que é o Bom Pastor, porta uma intimidade tão grande com a obra de Deus, como tem o pastor, intimidade com o seu rebanho. Trata-se de uma intimidade marcada por um conhecimento recíproco e, da parte do pastor, é radicalizada pela doação da própria vida. Neste sentido, importa ter por certo o seguinte: o batismo que nos configura a Jesus, envolve-nos na mesma dinâmica missionária do cuidado pastoral. Ora, o cuidado pastoral é o que devemos procurar viver no cotidiano das nossas relações familiares, sociais e comunitárias. Os crentes em Jesus são, necessariamente, vocacionados ao Reino de Deus e, consequentemente, envolvidos com a missão de pastorear. Envolvidos com a missão de cuidar, cada membro da comunidade de fé tem consigo o dever de velar com zelo da prática pastoral do cuidado fraterno. A mística e a espiritualidade pastoral vividas por Jesus e, expressa por Ele, no testemunho de Bom Pastor, é um apelo vocacional a cada cristão e a toda comunidade humana. Pois, talvez o desafio humano maior que enfrentamos seja o de cuidarmos uns dos outros com estima fraterna. Neste sentido, o apelo vem de Paulo apóstolo: “amai-vos dedicadamente uns aos outros com amor fraternal” (Rm 12,10). A nossa vocação é a do cuidado pastoral. Por isso, cada membro da comunidade crente porta consigo o ingente compromisso de ser a expressão viva do cuidado pastoral. O efeito de ser batizado ou batizada em nome de Jesus de Nazaré, não é outro senão, a demonstração do cuidado do Bom Pastor que, diariamente, como vela se consome pelo bem de todas as pessoas sem qualquer interesseira pretensão. O esforço para desempenhar qualitativamente o cuidado pastoral advém do imperativo: “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei” (Jo 13,34). Neste sentido, a sabedoria popular descobre com maestria a essência e o essencial do cuidado pastoral, pois tal sabedoria afirma: “quem ama, cuida”. E o cuidado pastoral de Deus manifestado em Jesus, o Bom Pastor, é, em última instância, o reflexo do seu amor. E o positivo impacto de sermos amados e cuidados por Ele, leva-nos a compreender o seguinte: a nossa vocação é a do cuidado pastoral. Enfim, sejamos retratos fiéis do pastoreio do Senhor! Autor: Prof. Me. Pe. Iran Gomes Brito Diretor Geral e Docente de Teologia iran@facmaedu.com.br

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HABITADOS PELO ESPÍRITO

coluna facma HABITADOS PELO ESPÍRITO Seguir os passos de Jesus é uma atitude fundamental para aprendermos lições importantes para a nossa vida. De fato, encontrar-se com Jesus e percorrer à sua trilha é, em última instância, defrontar-se com a delicadeza de Deus – Deus é delicado, fino no trato. Também, é uma oportunidade para reavivarmos em nossos corações a consciência amorosa da nossa condição de filhos e filhas de Deus, discípulos e discípulas de nosso Mestre e Senhor. Daí que neste tempo que nos toca viver, vale a compreensão de quem é Jesus. Não se trata de um rei poderoso e distante, um rei que manda e castiga, mas um alegre servidor de Deus Pai e da humanidade, esta que é a destinatária da sua presença-ação no mundo. A sua ação-presença é a entrega de sua vida por amor de nós. A finalidade não é outra senão que sejamos habitados pelo Espírito e pela plena humanidade de Jesus Cristo. Efetivamente, “Jesus se oferece graciosamente como fonte de vida, como lugar de acolhida e compaixão com entrega integral de si no amor misericordioso”. É a delicadeza de Deus de que precisamos para nos manter no caminho, pois, contidos na nossa fragilidade, não poucas vezes nos afastamos do caminho. Porém, necessitamos renovar a consciência de que o caminho de Jesus Cristo é o sentido da nossa vida, a razão do nosso viver e o compromisso da nossa discipular condição. A nossa condição de servidores do Evangelho da vida e da alegria só é de qualidade se mergulharmos densamente no mistério do amor de Deus, que é-nos revelado, plenamente em Jesus de Nazaré, este que sendo de condição divina, não se apegou a esta condição para se impor, antes, esvaziou-se, obedecendo a Deus até as últimas consequências. A consciência da sua entrega e da sua humildade precisam ficar esclarecidas entre nós, pois, com facilidade colocamos muitas coisas no lugar de Cristo. Mergulhar no mistério da Paixão-Morte-Ressurreição de Jesus Cristo é nos capacitar na condição do discipulado cristão, vencendo o medo de seguir os seus passos. Trata-se, de um mergulho que nos banha na água do seu amor e nos lava pela generosidade de sua oferta. Este é o caminho para reavermos a força que perdemos em razão da nossa humana fragilidade. O tempo pascal, este que estamos vivendo é um tempo propício para operarmos o mergulho de que estamos falando. E sem este mergulho, seremos fracos e covardes. Portanto, sem as legítimas condições do testemunho a que somos chamados a oferecer. E sem o selo do testemunho passamos, a respeito de Jesus, a dizer como Pedro, “não conheço este homem”. Ora, mergulhar no mistério da Paixão redentora de Jesus é condição para vivermos habitados pelo Espírito de Deus, a melhor condição para sermos no mundo peregrinos de esperança! Autor: Prof. Me. Pe. Iran Gomes Brito Diretor Geral e Docente do Curso de Teologia da FACMA iran@facmaedu.com.br

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