TERNURA NÃO É FRAQUEZA
Prof. Me. Pe. Iran Gomes Brito
A ternura é uma das linguagens silenciosas de Deus.
Ela não faz ruído, não se impõe, não conquista pela força; aproxima-se, toca as feridas e permanece. O Deus revelado em Jesus Cristo não salva o mundo esmagando sua fragilidade, mas assumindo-a. Em Belém, faz-se pequeno; no caminho, deixa-se tocar; no Calvário, abre os braços. Neste sentido, podemos inferir ainda que a ternura é a força de Deus escondida na vulnerabilidade do amor. Pois, somente quem é verdadeiramente forte consegue aproximar-se da fraqueza sem medo de ser ferido.
Assim sendo, a mística da ternura começa quando aprendemos a olhar como Jesus olhava. O seu olhar não reduzia ninguém ao pecado, ao fracasso ou à ferida que carregava. E onde a multidão via um pecador, Ele enxergava um filho; onde os outros encontravam impureza, Ele reconhecia uma vida sedenta de comunhão. De fato, a ternura nasce desse olhar contemplativo que atravessa as aparências e alcança o santuário escondido do outro. Por esse motivo, ser terno é aproximar-se desarmado do mistério de alguém e, diante dele, retirar as sandálias, porque também ali Deus habita.
Desse modo, ternura não é fraqueza. Aliás, fraqueza é o coração que precisa ferir para demonstrar poder. Frágil, ainda, é aquele que necessita diminuir o outro para sentir-se grande. A ternura, ao contrário, exige a coragem de quem renunciou às armaduras e decidiu permanecer humano. Há uma extraordinária fortaleza naquele que sabe acariciar sem possuir, corrigir sem humilhar, acolher sem julgar e permanecer quando todos partem. O genuíno coração cristão não é de pedra, é de carne, portanto, capaz de sangrar e, ainda assim, continuar amando.
Fraqueza é a escassez de ternura. Nesse tempo que nos toca viver, temos multiplicado as palavras, no entanto, diminuído a escuta; ampliado conexões e perdido de vista a comunhão. Tocamos telas durante horas e, tantas vezes, esquecemos de tocar as mãos de quem sofre ao nosso lado. Por isso, a ternura tornou-se também profecia: diante da cultura da indiferença, ela diz que ninguém é descartável. Diante do exposto, surge um questionamento: quando cessarem nossas palavras, títulos e grandezas, permanecerá a pergunta silenciosa do Evangelho: quanta ternura fomos capazes de oferecer?
A ternura é isto: mão estendida, perdão oferecido, presença fiel, abraço que devolve a esperança. Daí compreendermos que, a ternura não é fraqueza, é o amor que nos torna próximos. Por isso, não basta parecermos cristãos, é preciso que a nossa existência produza os frutos de Jesus Cristo.


